sábado, 8 de maio de 2010

NORDESTE JÁ 1985 COMPACTO

NORDESTE JÁ COMPACTO 1985




Colaboração do Jairo Melo, de Vicência – PE.

1985 foi o ano da solidariedade. O combate à morte, no sentido crucial da palavra, foi também o estandarte de luta para cantores e músicos americanos e ingleses reunidos nos projetos ”USA FOR AFRICA” e ”LIVE AID” em benefício das vítimas da fome etíope. O primeiro projeto que reuniu 45 das mais expressivas estrelas da música pop americana no elepê ”WE ARE DE WORLD”, entre os quais Michael Jackson, Diana Ross, Kenny Rogers, Quincy Jones, Ray Charles, Bob Dylan e Bruce Springsteen, rendeu mais de 55 milhões de dolares.
Na verdade, não foi a primeira vez que os artistas usaram a música como arma em prol de mudanças sociais e políticas. Nos anos cinqüenta os quadris de Elvis Presley* mexeram com a política americana. Nos sessenta o engajamento político veio nas canções de protesto de Bob Dylan e Joan Baez. Depois as coisas tomaram outros rumos. A música perdeu a força da conscientização política e acabou simplesmente como uma declaração de conformismo e comodismo.
No Brasil não foi diferente. Cansados de esperar por uma atitude do Governo Federal, artistas e músicos se reuniram num projeto semelhante ao ”USA FOR AFRICA”, uma altenativa para a arrecadação de verbas em ‘‘benefício da população carente do Nordeste’’. O projeto, batizado de ”NORDESTE JÁ”, uma realização do Sindicato dos Músicos Profissionais do Município do Rio de Janeiro, rendeu a gravação de um compacto simples com a participação de dos maiores nomes do canto e do instrumental nacional como:
Aizik, Alceu Valença, Alcione, Alves, Amelinha, Antônio Carlos, Aquiles (MPB-4), Baby Consuelo, Bebeto, Belchior, Beth Carvalho, Bussler, Caetano Veloso, Camarão, Carlinhos Vergueiro, Carlão, Celso Fonseca, Charlot, Chico Buarque, Cláudio Nucci, Cristina, Cristovam Bastos, Dadi, Daltro de Almeida, Dinorah (as gatas), Dorinha Tapajós, Dori Caymmi, Ednardo, Edu Lobo, Eduardo Dusek, Elba Ramalho, Elifas Andreato, Elisete Cardoso, Elza Soares, Emilinha Borba, Eunydice, Erasmo Carlos, Fafá de Belém, Faini, Fátima Guedes, Fernando Brant, Gal Costa, George Israel, Geraldo Azevedo, Gereba, Gilberto Gil, Golden Boys, Gonzaguinha, Guilherme Arantes, Ivan Lins, Jamil, Jacques Morelembaum, Joana, João Mário Linhares, João do Vale, José Luiz, Joyce, Kleiton e Kledir, Kid Vinil, Lana, Leoni, Leo Jaime, Lúcio Alves, Luiz Avellar, Luiz Carlos, Luiz Carlos da Vila, Luiz Duarte, Luiz Gonzaga, Luiz Melodia, Lulu Santos, Magro (MPB-4), Malard, Manassés, Maria Bethânia, Marina, Marlene, Martinho da Vila, Marçal, Maurício Tapajós, Mauro Duarte, Mazola, Miguel Denilson, Mirabô, Miltinho (MPB-4), Milton Banana, Milton Nascimento, Milton Araújo, Miúcha, Moraes Moreira, Olívia Byington, Olívia Hime, O Quarteto, Paulinho da Viola, Patativa do Assaré, Paula Toller, Pareschi, Penteado, Perrotta, Perrottão, Pepeu Gomes, Raimundo Fagner, Rafael Rabello, Reinaldo Arias, Ricardo Magno, Rita Lee, Roberto de Carvalho, Roberto Carlos, Roberto Ribeiro, Roberto Teixeira, Rosane Guedes, Roger (Ultraje a Rigor), Rosemary, Rubão, Rui (MPB-4), Sandra de Sá, Sérgio Ricardo, Simone, Sílvio Cézar, Sueli Costa, Stephani, Tânia Alves, Tavito, Teo Lima, Telma, Telma Costa, Terezinha de Jesus, Tim Maia, Tom Jobim, Tunai, Verônica Sabino, Vilma Nascimento, Virgílio, Yura, Wagner Tiso, Walter, Zenilda, Zé da Flauta, Zé Ramalho, Zé Renato, Zizi Possi.
O compacto ”NORDESTE JÁ” (Coomusa, No. 81446) tem as faixas “Chega de Mágoa”, uma criação coletiva dos participantes e “Seca D’Água”, também um arranjo coletivo em poema de Patativa do Assaré. Para a revista ”Veja”, em matéria publicada na edição do dia 5 de junho de 1985, foi de extrema importância a reunião dos artistas brasileiros em prol da população necessitada do Nordeste:
”Os 155 músicos que se reuniram no Rio de Janeiro, no início de maio, para gravar um disco em benefício da população carente do Nordeste finalmente divulgaram na semana passada, o resultado de seu mutirão. A partir da segunda-feira, dia 27, 3 000 emissoras de rádio do País incluíram em sua programação regular o lado 1 do compacto ‘NORDESTE JÁ’, a canção Chega de Mágoa, uma combinação de marcha-rancho e reggae jamaicano. Com o disco, que estará à venda a partir do dia 10 nas 2 325 agências da Caixa Econômica Federal em todo o País, a 10 000 cruzeiros, os músicos brasileiros seguem os passos de seus colegas americanos, que transformaram num grande êxito o elepê We Are The World, em benefício das vítimas da fome que assola a Etiópia. Como no disco americano, nenhum dos artistas receberá um tostão por seu trabalho. Ao contrário do disco americano, porém, falta ao compacto brasileiro uma adequada produção de estúdio.
Chega de Mágoa é uma boa canção, de autoria de Gilberto Gil, com letra sua e de outros onze compositores que participam do disco, como Chico Buarque e Milton Nascimento – ainda que, no entusiasmo do mutirão, se tenha decidido assinar a música como ‘criação coletiva’. Os solos vocais que se ouvem ao longo da canção, a cargo de artistas de primeiro time, são empolgantes, e entre o instrumental pode-se ouvir os pianos de Tom Jobim e Wagner Tiso. O que destoa em Chega de Mágoa, assim como no lado 2 do compacto, o animado forró Seca D’Água, é o monumental pandemônio formado pelo coro de 132 vozes desencontradas. Na gravação, esqueceu-se de que montar um coro não é juntar vozes, mas integrá-las sob uma regência e sob determinados padrões técnicos. O resultado é que em todas as intervenções do coro, se tem a impressão de que a gravação foi deslocada do estúdio para uma arquibancada de estádio de futebol.
Mesmo assim, Chega de Mágoa é uma canção de evidente vocação para o sucesso. O Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, de onde partiu a iniciativa do disco ‘NORDESTE JÁ’, espera que seu êxito se iguale ao dos grandes nomes da música brasileira. A tiragem inicial do disco será de 500 000 cópias,- o que o tornaria o compacto mais vendido no País nos últimos cinco anos. Nem todo o dinheiro recolhido com sua venda irá para o Nordeste. Do montante recolhido, o sindicato terá que pagar a prensagem dos discos, ao custo de 1 150 cruzeiros cada um, e dividirá com a Caixa Econômica o investimento de 1,3 bilhão de cruzeiros numa maciça campanha promocional pela TV. Os lucros reais do disco servirão para financiar a construção de centros de lazer na periferia das cidades mais carentes do Nordeste.
Para os artistas envolvidos no projeto, a gravação do compacto foi uma festa memorável, que durou três noites e manhãs varadas no estúdio sob o estímulo da música de Gil e de intermináveis remessas de garrafas de cerveja. De comum acordo, os artistas decidiram que os solos vocais ficariam a cargo dos nomes mais célebres do elenco, para atrair os compradores do disco. ‘Não houve vedetismo de espécie alguma’, surpreende-se Elba Ramalho. Em meio ao congraçamento, não faltaram lances pitorescos. As cantoras Emilinha Borba e Marlene, arqui-rivais dos tempos da Rádio Nacional, encontraram-se pela primeira vez em muitos anos e riram de velhas rixas. Erasmo Carlos encontrou dificuldades em acertar a hora da entrada de sua voz e teve de ser regido por Chico Buarque. E num canto do estúdio Rita Lee deu aulas de rock a Elza Soares, recebendo, em troca, lições de samba. Em meio a boas atuações individuais e um mau coro, o clima de celebração tornou-se, afinal, o mais saboroso ingrediente do disco.”
Infelizmente, as rádios do País não tocaram a música Chega de Mágoa como o esperado. Raimundo Fagner chegou até a criticar as emissoras de rádio quando do lançamento do disco: ”As rádios, que deveriam entrar na campanha e fazer Chega de Mágoa vender um milhão, não tocam. E esse trabalho só tem sentido, só vai cumprir sua finalidade, se vender um milhão. E é para vender, a menos que alguém me prove que tudo não passa de uma falcatrua, que é só para encher o bolso do Marcos Freire.” (Fonte)
Compacto – Nordeste já 1985
01 – Chega de mágoa (Criação coletiva) – Marcha rancho com reggae [Luiz Gonzaga em meio à um coral de 155 artistas] 02 – Seca d’água (Patativa do Assaré) – Baião toada [Luiz Gonzaga & um coral de 155 artistas]
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