sábado, 1 de maio de 2010

EDMILSON FERREIRA E ANTÔNIO LISBOA COMENTÁRIOS SOBRE A DUPLA

Edmilson Ferreira e Antonio Lisboa

Conheci Antonio Lisboa e Edmilson Ferreira quando fazíamos a Caravana da Saúde, um projeto do italiano morador em Olinda, Giuseppe Baccaro. A Caravana consistia num ônibus cheio de violeiros, aboiadores, poetas, atores e produtores culturais. Viajamos durante três meses pelos nove estados do Nordeste, visitando as maiores cidades. Os repentistas improvisavam temas de saúde pública, orientando sobre prevenção e tratamento das doenças.

Antonio e Edmilson cantavam ao lado de grandes nomes do repente brasileiro: Oliveira Francisco de Panelas, Ivanildo Vilanova, Geraldo Amâncio, João Furiba, Louro Branco, e de Raimundo Nonato e Nonato Costa.

A viagem parecia com a dos Argonautas, um bando de homens gregos que saiu em busca do Velocínio de Ouro. Só que lá na antiguidade, havia apenas um músico, Orfeu. No ônibus, eram mais de vinte poetas repentistas, distribuindo o ouro do conhecimento.

A vida dos cantadores não difere muito da vida dos astros de rock. Talvez apenas no valor dos cachês que recebem. Todos são obrigados a um permanente convívio, em viagens longe de casa, cantando, conversando, criando. É uma espécie de casamento musical. A dupla de violeiros desenvolve afinidades; um conhece o tempo do outro, avalia a respiração, percebe as pausas. Vive em duelo no repente, mas precisa mostrar paridade e harmonia. Não existe coisa mais desastrosa que dupla de violeiros desigual. Os poetas da viola são amantes e cúmplices que se comportam nas pelejas como inimigos e rivais. É o paradoxo da profissão.

Antonio Lisboa e Edmilson Ferreira cresceram muito desde que os conheci. Viraram mestres da poesia popular. E o aprimoramento da difícil arte da cantoria se deu a custo de muito trabalho, da lapidação do verso e da voz. Chegaram onde pensavam chegar: à certeza de que o poeta está sempre a caminho, sempre cavando a inesgotável mina da poesia.

Ronaldo Correia Brito

(Escritor e dramaturgo)

Uma dupla de cantadores é necessária para qualquer performance de cantoria. Por outro lado, (não só) aqueles que pesquisam são necessários para escrever, colocar questionamentos e oferecer outros olhares sobre um gênero poético-musical, como é a cantoria. O pesquisador é uma nave solitária até que encontra a fonte do som e da palavra sobre a qual irá navegar. A dupla, é formada por dois indivíduos, cada um com seu talento, conhecimento, histórias, ideologia, e afetos. E poesia. A viola também tem a poesia, também como uma nave, aquela de som solitário, ou em dupla, e que junto às vozes dos cantadores se transformam em poesia.

Com Edmilson Ferreira e Antonio Lisboa aprendi, durante longas horas de conversas e outras de performance, que eles são artistas engajados com a cantoria, com a sociedade, com a vida. Eles exploram o potencial do gênero até um limite que responde à visão deles, à constante exigência deles, e às características criativas da cantoria. Eles apreciam e tem aprendido dos colegas, e os respeitam se a intenção for a de ser cantador, seja em festivais, em cantorias pé de parede ou em quaisquer espaço de performance; cada um é e é também cantador. Aprendi que a categoria dos cantadores é um grupo humano de artistas populares, de diversas aptidões poéticas e musicais, e que é necessário unir forças, buscar novas formas de organização: mais do que resistir, construir. De olhos arregalados, de ouvidos atentos, de não aceitar injustiças, canhotos, Edmilson Ferreira e Antonio Lisboa se enriquecem a cada dia.

Ernesto Donas

(Etnomusicólogo e fagotista)

Edmilson e Lisboa: Um compromisso firmado no tempo.

Lembro ter conhecido Edmilson Ferreira e Antonio Lisboa em 2002, por ocasião de uma atividade em Belo Horizonte, onde reuniram-se vários artistas, promovido pelo MST. Feito o primeiro contato, tornamo-nos amigos e logo depois tive a oportunidade de convidá-los a participarem de eventos, onde fui responsável pela produção.

E assim se passaram os anos, ficamos mantendo um contato mais distante, já que vivemos em regiões diferentes do País. Mas, ficou-me a boa imagem, a certeza da arte com compromisso, o engajamento necessário sem os costumeiros exageros que se vê por aí, a palavra dita e conservada na sua essência. A musicalidade e a essência oriundas de antanho, quando os bardos, menestréis e provençais saíam pelos reinos e caminhos de então a espalharem as histórias cantadas e que naqueles tempos já incomodavam os senhores do poder. Edmilson Ferreira e Antonio Lisboa são a síntese desta história comprometida no tempo. E tudo dizem e nada calam, com suas violas afinadas trazendo à lembrança escalas celtas, mouras e outras que aportaram em nossa Terra Brasilis.

Vida longa a esta dupla, à qual tenho a honra de dedicar estas modestas linhas. Bem como a satisfação de fazer parte desta história de resistência em nome da cultura, da arte Nordestina, da história do Brasil.

Em frente queridos irmãos. Seguimos juntos, sempre!

Pedro Munhoz

(Compositor - www.pedromunhoz.mus.br)

E evidentemente fazer a justa referência a vocês, que representam, ao lado de outros jovens poetas cantadores, não a esperança, mas a certeza de que a arte da Cantoria jamais morrerá; a certeza de que ,ao contrário, a poesia do vate violeiro multiplicar-se-á, cada vez mais,fazendo do verso improvisado o instrumento mais sublime do sentimento.
Quem conhece a história da Cantoria sabe que ela tem a beleza da arte e a importância da ciência; É arte por ser elaborada pela destreza de poucos e é ciência quando transmite informações sobre a história dos grupamentos sociais. O Cantador é, portanto, um folclorista e a Cantoria, na minha opinião, é um nobre insumo da ciência sociológica.
Por isso, prezado poeta Edmilson, a Cantoria não tem a fragilidade dos modismos sazonais, dos arranjos instrumentais que podem até dar fama a alguns, momentaneamente.
A Cantoria, não, a Cantoria é longeva, permanente, estrutural.
Não sensibiliza multidões ainda, evidentemente. Edmilson, nem sempre há correlação entre a fama e o valor; Uns têm valor sem fama, outros têm fama sem valor!
A sensibilização depende de múltiplos fatores. Por exemplo, não se gosta daquilo que não se entende! Não é verdade?
Outro dia ,eu fazendo pesquisa sobre Cantoria, vi na internet uma opinião muito interessante: O comentarista dizia que as Universidades deveriam usar o conhecimento dos Violeiros como fonte de consulta para os alunos.
Aliás, com relação ao assunto,fico muito feliz quando vejo as Universidades se interessando pela arte dos poetas Cantadores.
... Quando vejo os Cantadores fazendo apresentações nos outros paises.
Como aconteceu com vocês dois que foram ao Velho Mundo mostrar que no Novo, os Poetas da Viola estão resgatando as odes da civilização grega.
... Sobre Edmilson e Lisboa, tenho certeza de que a minha opinião é a mesma dos milhares de admiradores da inigualável arte.
Dois jovens de talento que constroem versos com beleza, segurança e conhecimento. Tenho certeza de que os Poetas mais velhos ficam muito felizes quando constatam que a constelação da poesia rimada e improvisada continuará brilhando graças ao aparecimento de novas estrelas, como é o caso de vocês dois.
Edmilson, tenho uma experiência de quarenta anos como Médico e posso afirmar que não existe satisfação maior para um profissional do que ter ele a certeza de ser admirado e respeitado pelos seus colegas.
Vocês dois são reconhecidos pelos colegas como poetas de valor.
Acho que isto vale tanto quanto a sonoridade agradável das palmas, não é?
Não tive ainda a oportunidade de conversarmos pessoalmente.
Portanto ,qualificá-los como excelentes Improvisadores da Viola é uma opinião destituída de qualquer influência de laço afetivo, que desejo existir algum dia, mas que no momento não existe.
A Poesia, por ser expressão do sentimento, tem sido ,ao longo do tempo amálgama da amizade!
Diz o amigo Aquino Neto que a Cantoria é a arte mais difícil do mundo.
Concordo com ele. Certa vez fiz uma septilha sobre Cantoria que diz assim:
A ARTE DE IMPROVISAR
SÓ SE VÊ EM CANTORIAS;
SÓ POETA CANTADOR
IMPROVISA POESIAS;
POIS DEUS COM TODO JUÍZO,
NÃO USOU O IMPROVISO,
FEZ O MUNDO EM SETE DIAS.

Com todo respeito ao Grande Arquiteto do Universo, evidentemente.
Não há qualquer intencionalidade de heresia no arranjo metafórico do verso!
Outro dia eu fiz uma crônica sobre Cantoria, a pedido de um grande cantador. E terminei dizendo que a humildade é a maior das virtudes.
A sua presença transforma pequenos em grandes e a sua ausência transforma grandes em pequenos!

Continuem cantando e encantando!
Façam da humildade a luz que orienta o caminho!
A inveja é somente a revolta por não se ter o que se deseja, sem poder!
Continuem fazendo versos bem feitos, como fizeram até hoje.
As coisas mais importantes da vida são as mais simples: As pernas que andam, os braços que abraçam, a fé que anima!

Edmilson, sabe a diferença entre o cantor e o cantador?
O cantor canta com a laringe e o Cantador canta com o coração!
Por isso são felizes por motivos diferentes! Concorda?

Acho que vocês jovens poetas de hoje são motivo de alegria até para os grandes do passado, que agora fazem parte do coral do CÉU!

ADERALDO ,CEARENSE
MONTEIRO, PARAIBANO
DOMINGOS, PIAUIENSE
E DIMAS, PERNAMBUCANO!!!

Um abraço.
Caicó, 01092007 Luiz Dutra!

Luiz Dutra

(Médico e poeta)

Falar da dupla Edmilson Ferreira e Antonio Lisboa pra mim é sempre uma responsabilidade muito grande, eles além de serem grandes poetas, são também grandes seres humanos. São dois exemplos dentro e fora da cantoria.

Poetas, vocês agregam cada vez mais na cantoria os valores morais como: a disciplina, a ética, a humildade e acima de tudo o respeito pela as pessoas de bem.Parabéns continuem sempre assim, pois a maior riqueza de um ser humano está certamente em outro ser humano.
Sucesso cada vez mais...
do amigo,

Evanildo Pereira

(Repentista)

www.repentistaevanildo.com.br

Falar de Antônio Lisboa e Edmilson Ferreira é dizer de artistas totalmente preparados para enfrentar qualquer ambiente quando falamos de cantoria improvisada. Os versos, saídos da ampla imaginação e das veias poéticas dos dois, nos chegam recheados de imagens, metáforas e muito brilho. As vozes encantadas nos remetem à um universo desconhecido nos deixando sempre surpresos com tamanha criatividade a cada nova estrofe formada.
A dupla preparada e embalada pelo acorde tradicional da viola, canta de improviso, qualquer assunto que a platéia pedir, realmente é impressionante.
Meus poetas, desejo muita sorte nesta nova etapa da vida e carreira e que este site possa mostrar ao mundo como realmente é a cantoria nordestina. Parabéns! Sinto um grande orgulho de ser, além de grande fã da dupla, amigo de vocês.
Um abraço cheio de paz e rimas,

César Obeid

(Escritor e Pesquisador)

http://www.teatrodecordel.com.br/

A cantoria nordestina tem, atualmente, excelentes cantadores. Dentre eles, incluem-se Antonio Lisboa e Edmilson Ferreira, pelos quais tenho grande admiração e respeito. Além da cantoria de elevado nível, mas em linguagem simples, revelam apurada consciência da realidade sócio-política do País e muito zelo com aquilo que produzem (livro, CD, DVD, etc), que tem sido de excelente conteúdo poético e de boa qualidade técnica/gráfica. Outros aspectos a destacar nessa dupla são: a luta pela valorização da cantoria e a organização da classe, o profissionalismo e a ética com que se conduzem, numa atividade marcadamente competitiva, a simplicidade pessoal de ambos e o respeitoso relacionamento que mantêm com o público e com os colegas.

José Rego

(Professor da UFRN)

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