quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OTÁCILIO BATISTA - CABÔCO DO NORTE

Sou um “Cabôco” do norte
Criado com rapadura
Mel de engenho com farinha
Batata com fava pura
Mocotó de boi lavrado
Milho verde e feijoada
Leite de jumenta preta
Farofa com carne assada.

Fui vaqueiro vinte anos
Na fazenda do Limão
Lá no Pajeú das Flores
Onde nasceu Lampião
Perseguia gado brabo
Entrava de mato a dentro
Meu cavalo pé de ouro
Derrubava até o vento.

Dancei quatro ou cinco noites
Em samba festa e fulia
Bebendo cachaça boa
Até amanhecer o dia
Agarrado com as “cabôcas”
Bonita cor de canela
Sentindo aquele cheirinho
De moça virgem e donzela.

Fui cabra de Lampião
Enfrentei bicho valente
Mamei em onça na furna
Já matei cabra no dente
Abracei tamanduá
Botei cela em canguçu
Na serra da micaela
Comi carne de urubu.

Fiz cabra casar a força
Com a filha do meu patrão
Rebati ponta de faca
Peguei bala com a mão
Nunca temi o perigo
Não dei vez a inimigo
Tenho um negócio comigo
Não sofro do coração.

Tenho oitenta e cinco anos
Sou forte que só braúna
O punhal é meu rosário
Meu padre nosso, a ruína
Quando o “cão” baixar a terra
Me vendo de longe cai
Só respeito a três pessoas
Deus, a polícia e meu pai..

Autor: Otacílio Batista
São José do Egito – PE.
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