terça-feira, 11 de outubro de 2011

ENTENDA O AVC QUE O TECNICO RICARDO GOMES SOFREU



Edilene Ribeiro 
No último domingo, o técnico do Vasco, Ricardo Gomes, de 46 anos, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) com hemorragia. Por conta disso, ele precisou passar por uma cirurgia de emergência para controlar a hipertensão craniana e evitar sequelas. No momento da hemorragia, a pressão arterial do técnico – que sofreu um pequeno AVC no ano passado, e que também perdeu o pai vítima da doença – era de 19 por 12. O caso é estável, mas considerado grave e há o risco de sequelas.
O fato chama a atenção para os riscos do AVC: a doença é considerada a primeira causa de morte e incapacidades no Brasil. Além de ser a segunda causa de morte no mundo. Anualmente, são seis milhões de mortes em decorrência da doença.
O neurologista e vice-presidente da Associação Brasileira de Neurologia, Rubens Gagliardi, explica que o AVC acontece por conta de uma alteração do fluxo de sangue no cérebro, o que provoca a morte de células nervosas da região cerebral atingida. Isso pode ocorrer como uma obstrução de vasos sanguíneos: AVC isquêmico ou por meio de uma ruptura do vaso: AVC hemorrágico (tipo que acometeu o técnico do Vasco). “Pelo que vimos nos noticiários, o rompimento do vaso sanguíneo provocou uma hemorragia cerebral e um grande hematoma, que podem comprometer o tecido cerebral e gerar sequelas. Por isso, foi realizada uma cirurgia de emergência. Para tentar evitar esse dano”, explica Gagliardi.
Segundo Glagliardi, alguns fatores colaboram com casos de AVC como histórico familiar, hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, colesterol alto, obesidade, tensão emocional, uso abusivo de álcool e drogas ilícitas e até mesmo falta de atividade física. “Más formações vasculares também podem contribuir para o AVC, mas são em casos acentuados e diagnosticados através de exames específicos, pedidos depois de sinais de suspeita.”
Prevenção
O neurologista Rubens Gagliardi afirma que o AVC é um problema muito grave. “Mas há possibilidades de prevenção, através de bons hábitos e exames preventivos e de rotina que analisam o estado das artérias”, salienta.
De acordo com a neurologista do Hospital das Clínicas, Adriana Conforto, a recomendação é procurar ajuda médica quando sentir formigamento ou fraqueza em um dos lados do corpo e sensações súbitas como: dificuldade para falar, enxergar, andar, dor de cabeça muito forte, vertigem ou perda de equilíbrio. “O tempo é primordial para a sobrevivência e recuperação do paciente”, ressalta Adriana.
Como é a recuperação do paciente
Quanto mais cedo o paciente for atendido após o início dos sintomas, maior as chances de sobrevivência e recuperação. Após o período de reabilitação, algumas sequelas podem ficar e, por isso, tratamentos ajudam o paciente a recuperar suas atividades e o convívio social.
A fisioterapia e até mesmo a aplicação da toxina botulínica (botox) são medidas que auxiliam na recuperação de quem perdeu alguns movimentos ou tem contração exagerada do músculo.
A neuropsicologia também é uma ferramenta que auxilia nessa recuperação. A modalidade não é fácil de ser encontrada, mas ajuda a melhorar casos de déficit de atenção e memória. Trata-se de um estímulo a atividade cerebral.
É possível retomar as atividades
Apesar do AVC ser a maior causa de incapacidade no Brasil, segundo o neurologista Rubens Gagliardi, 40% das pessoas que sofrem AVC conseguem voltar às atividades normais, sendo que 20% delas têm sequelas não incapacitantes. “Cada caso é um caso no processo de recuperação de um AVC. Por isso, por enquanto, não há como saber o que acontecerá com o Ricardo Gomes”, lembra Gagliardi.


Fonte Jornal Metrô News São Paulo
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