segunda-feira, 19 de novembro de 2012

POESIA - POETA ENOC FEREIRA

O Sertão está sendo castigado
Pela seca cruel que nos comove

Faz dois anos completos que não chove
Acabou-se a fartura do roçado
Não tem pasto pra o gado no cercado
Dese jeito se acaba a criação
Morre um bicho por falta de ração
Falta até urubu pra lhe comer
Se passar mais um ano sem chover
Vai ficar pouca gente no Sertão

Já passou-se Janeiro não choveu
Fevereiro foi seco não pingou
Quando em março o inverno começou
Porém só uma chuva nele deu
Quem plantou a lavoura se perdeu
Com quarenta e seis dias de verão
Já que o povo não tem outra opção
A vingança que tem é só dizer:
Se passar mais um ano sem chover
Vai ficar pouca gente no Sertão.

Eu só sei que daqui pra o fim do ano
è certeza que a água vai faltar
Pra beber, pra lavar, pra cozinhar
Só se for de algum poço artesiano
Nessa água quem for lavar um pano,
Ela corta a espuma do sabão
Da que encrua caroço de feijão
Assim mesmo é melhor do que não ter
Se passar mais um ano sem chover
Vai ficar pouca gente no Sertão.

Sem chover o Sertão não vale nada
Pois a seca só trás calamidade
Carro-pipa abastece uma cidade
Mas água que traz é limitada
Ver-se a fila de latas na calçada
Todo mundo esperando o caminhão
Nisso o povo se agita ,faz pressão
Que o prefeito só falta endoidecer

Essa seca perversa foi quem fez
A miséria cruel que está se vendo
A pobreza humilhada recebendo
Uma feira que vem de mês em mês
Mas a feira que veio da última vez
Só foi óleo fubá e macarrão
Quando vem um punhado de feijão
Não há fogo que faça amolecer
Se passar mais um ano sem chover
Vai ficar pouca gente no Sertão.

Sertanejo tornou-se um flagelado
De lucrar já perdeu a esperança
Por que tudo demais a gente cansa
Esse povo já está desenganado
Disse um velho que vinha do roçado:
Já perdi toda minha plantação
Pra acabar com a safra de algodão
Só faltava o bicudo aparecer
Se passar mais um ano sem chover
Vai ficar pouca gente no Sertão.



Autor: Poeta Enoc Ferreira.
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