terça-feira, 13 de agosto de 2013

BULE BULE POETA DA BAHIA

Bule - Bule e Zé Pedreira Cantadores da Terra do Sol (28/12/2010)

Bule-bule nasceu Antônio Ribeiro da Conceição, no dia 22 de outubro de 1947, na cidade de Antônio Cardoso, na Bahia.  Na infância, teve contato com o samba rural do sertão e do Recôncavo Baiano, e também com os repentes sertanejos. Bule-bule absorveu todas as influências culturais com que teve contato, e se tornou um talentoso músico, escritor, compositor, poeta, cordelista, repentista, ator e cantador. Gravou seis discos (Cantadores da Terra do Sol,  Série Grandes Repentistas do Nordeste, A fome e A vontade de Comer, Só Não Deixei de Sambar, Repente Não Tem Fronteiras e Licutixo), publicou quatro livros (Bule Bule em Quatro Estações, Gotas de Sentimento, Um Punhado de Cultura popular, Só Não Deixei de Sambar) e mais de 80 cordéis. Além disso, participou de vários seminários, como palestrante, e de inúmeras peças teatrais e publicitárias. Bule-bule escreve sobre o cotidiano da vida no sertão nordestino, mas fala de uma realidade pouco lembrada na arte nordestina: a fartura. Ele vive em uma região, às margens do rio Paraguaçu, em que famílias humildes conseguem viver dignamente com o que produzem. Há um famoso cordel, de sua autoria, em que ele menciona a fartura: “O inverno tá maneiro/ Tem riacho dando nado/ cartoze vacas das minhas/ Dero cria mês passado/ A fartura tá matando/ Sertanejo impanzinado/”. Outros cordéis seus têm cunho político e crítica social, e outros fazem reflexões sobre o homem, suas virtudes e defeitos. Do mesmo modo como muitos artistas populares, o primeiro registro em disco aconteceu tardiamente na carreira de Bule-bule. Embora fosse conhecido na Bahia, porque passou a década de 1970 se apresentando em praças e clubes do interior da Bahia, foi somente em 1979 que gravou o primeiro LP, que é este da postagem de hoje. Foi gravado em parceria com o cantador baiano Zé Pedreira, e contém muitas composições de Bule-bule, como Minha Terra; Bahia do Candomblé, do Petróleo e da Capoeira; Hino dos Trovadores, Todo novelo termina no fundo da sepultura; Condenado por amor; Estão querendo acabar com as riquezas no sertão e O Poeta. A partir desse disco, Bule-bule tornou-se bem mais conhecido, principalmente nos ambientes da música regional. Atualmente, é um dos nomes mais importantes da cultura nordestina. Abaixo, um cordel autobiográfico:

Bule-bule por ele mesmo
Antonio Ribeiro da Conceição
A flor do norte baiano
Companhia brasileira
Da República Federá
Moço do Código da Lei
Agidor do errado
Cachola que Deus me deu
Inspetor juramentado
Se perguntar cadê ele, tá aqui o seu criado
Filho de Mané Jararaca
Que mora na Loca da Péda
E se meter o pé com ele
Vai ver o rolo da queda
Este moço que está na sua beira
Cravo das moças
E alecrim que cheira
Filho de Isabel Ribeiro da Conceição
Doceira, louceira, benzedeira
Parteira e outros eiras como parideira...
E foi do ato de parir
Que nasceu Bule-Bule
Cantador e repentista
Bem ali na cidadezinha de Antônio Cardoso
Final do Recôncavo baiano, começo da Caatinga
Portal do Sertão baiano

(Extraído da revista Bahia de Todos os Cantos, Ano 2, nº 3, Fevereiro de 2010)


Lado 1

1-      Minha terra (Bule-bule/Zé Pedreira)
2-     Bahia do candomblé do petróleo e capoeira (Bule-bule/Zé Pedreira)
3-     Hino dos trovadores (Rodolfo Coelho Cavalcante)
4-     Todo orgulho termina no fundo da sepultura (Rodolfo Coelho Cavalcante)

Lado 2

1-      Condenado por amar (Bule-bule)
2-     Estão querendo acabar com as riquezas do sertão (Bule-bule)
3-     Quadrão a desafio (Bule-bule)
4-     O poeta (Bule-bule/Zé Pedreira)
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