sábado, 11 de julho de 2009

NA GUERRA DO IMPROVISO

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O piauiense Zé Viola e o cearense Jorge Macedo: festival de cantadores procura consolidar a arte do improviso como atração artística musical em Fortaleza (Foto: Fábio Lima)

A arte do repente invade o Cine São Luiz, hoje, com o I Festival Clube da Viola de Poetas Cantadores. Amanhã, o Festival continua no Clube da Caixa

Dez dos melhores violeiros do Nordeste levam o improviso e a cantoria ao palco do Cine São Luiz. O time de atrações é formado por Ivanildo Vila Nova, Raimundo Nonato (PB), Nonato Costa (CE), Raimundo Caetano (PB), Louro Branco (CE), Mocinha de Passira (PE), Zé Viola (PI), João Paraibano (PB), Antônio Lisboa (RN) e Edmilson Ferreira (PI), que representam cinco Estados do Nordeste. O Festival é organizado pelo Clube da Viola, que, após dez anos promovendo eventos de cantoria em Fortaleza, procura consolidar a arte do improviso, definitivamente, como atração artística musical em nossa capital.

Os cantadores convidados não fazem um preparo especial antes da competição. “O que vale mesmo é o improviso, quando a gente mistura o conhecimento, a prática e o dom de cantar. Por isso, uma apresentação nunca é igual a outra. No dia seguinte, se a gente fizer outra apresentação em cima do mesmo tema, sai tudo diferente”, explica o piauiense Zé Viola. Com mais de 20 anos de estrada, o cantador é um veterano dos festivais. “Tenho mais de 400 troféus. E vivo de agenda cheia”, orgulha-se.

Pé na estrada

Zé Viola começou sua trajetória de cantador em São Paulo, em 1987. Como tantos nordestinos -nasceu na pequena Bocaina, no sertão piauiense - , deixou a terra natal para “fazer São Paulo”. Depois de algum sucesso por lá, fez, em 1994, o caminho de volta. Atualmente, Zé Viola mora em Teresina, mas vive com o pé na estrada. Além de todo Nordeste, onde estão os melhores cantadores, costuma fazer apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belém. “Esta é a nossa vida”, conclui.

No Festival de Fortaleza, em cada apresentação, o público vai ter a oportunidade de contemplar a beleza e a complexidade do improviso e da poesia cantada, que representam a essência da cultura nordestina. Uma oportunidade única para se ver tantas feras da cantoria reunidas em um mesmo espaço. As apresentações são feitas de desafio. Todos os artistas que subirem ao palco do São Luiz estarão competindo, disputando prêmios e troféus e o reconhecimento como vencedor do I Festival Clube da Viola de Poetas Cantadores.

Para explicar como vai ser a competição, a organização do evento, que tem à frente o apologista Orlando Queiroz, traça um paralelo entre a cantoria de viola e o futebol, comparando os festivais de repentistas ao campeonato brasileiro de clubes. Em determinados festivais, como os de Recife e Campina Grande, as disputas são tão acirradas que envolvem calorosamente a torcida. E vale gritar o nome do artista do coração. Vale, também, fazer o coro de “já ganhou”, mesmo quando o cantador do coração não teve a melhor performance. O certo é que, dentro do universo da cantoria, os festivais são o ponto culminante para o poeta popular.

Temas e motes

Durante a competição, as duplas concorrentes terão que cumprir quatro tarefas, cada uma com cinco minutos de duração, que serão solicitadas por uma Comissão de Seleção, que já se reuniu previamente e elaborou temas e motes para serem desenvolvidos pelos cantadores.

O material preparado pela Comissão fica lacrado dentro de envelopes que só serão abertos no início da apresentação dos cantadores, mediante sorteio e na presença do presidente de uma Comissão Julgadora.

Os cantadores serão rigorosamente julgados em três aspectos: rima, métrica e oração (assunto/tema solicitado). Serão atribuídas notas de zero a dez para cada uma das tarefas desempenhadas pelos artistas competidores. Os pontos obtidos na primeira noite, hoje, serão adicionados aos da segunda noite, amanhã, que vai acontecer no Clube da Caixa, em Messejana. A dupla vencedora do I Festival Clube da Viola de Poetas Cantadores será a que obtiver a maior pontuação somando-se os resultados das duas etapas.

Os cachês pagos pelas apresentações serão iguais para todos os competidores. Já os troféus e prêmios em dinheiro serão distribuídos de acordo com a classificação de cada dupla, tornando a disputa pelas primeiras colocações bastante acirrada e muito mais empolgante.

DÉLIO ROCHA
Repórter

Mais informações:

Abertura do I Festival Clube da Viola de Poetas Cantadores, hoje, às 20 horas, no Cine São Luiz, no Centro. O festival continua, amanhã, no mesmo horário, no Clube da Caixa, em Messejana. Entrada: R$ 10,00. Informações: (85) 9998.0827 - 8856.2190





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