domingo, 6 de março de 2011

LUIZ GONZAGA VOLTA PRA CURTIR

 
 Que Luiz Gonzaga foi genial, isso todo mundo já sabe. Ele tinha a voz forte, as composições imortais, a sanfona característica e um talento nato para incorporar o caboclo nordestino e contar causos e anedotas. Doze anos depois de sua morte, constata-se que ele continua imbatível no gênero que ajudou a fixar no imaginário coletivo do brasileiro: o baião e suas variações. É o que prova o CD inédito Volta Pra Curtir, retirado de um show no Teatro Tereza Rachel, no Rio, em 1972, quando Caetano e Gil voltaram do exílio e queriam mostrar à juventude intelectual da Zona Sul carioca a importância do Rei do Baião. Produzido por Jorge Salomão (com roteiro dele em parceria com José Carlos Capinam), o show que agora virou CD apenas frisa a genialidade do intérprete e compositor, com direito a uma banda regional de primeira, que contou com o então jovem Dominguinhos no acordeom, que acabava de ser rebatizado (deixara há pouco o apelido de Neném).

O falatório desfiado por Gonzagão ao longo do disco pode até incomodar a quem só queira dançar ao som de suas músicas, mas não poderia ter ficado de fora. Seria uma heresia, afinal são em seus discursos que ele revela sua graça, sua ingenuidade e seu carisma inigualáveis. O repertório traz seus maiores clássicos - todos, atemporais - como Asa Branca, Boiadeiro, Lorota Boa, Assum Preto, Respeita Januário, No Meu Pé de Serra, Estrada de Canindé, Juazeiro, Derramaro o Gai, Qui Nem Jiló e tantas outras. Entre as menos conhecidas, destacam-se as brejeiras e melancólicas Ana Rosa (Humberto Teixeira) e Hora do Adeus (Onildo Almeida/ Lula Queiroga) e duas homenagens ao Rio de Janeiro: Adeus, Rio (Zé Dantas/ Luiz Gonzaga) e Aquilo Bom (Garotas do Leblon) (Luiz Gonzaga/ Severino Ramos). A nova geração do forró pé-de-serra tem que acender uma vela por noite pra São Luiz Gonzaga. Reverência é o mínimo que se pode ter a um dos dez nomes mais importantes da MPB de todos os tempos.
Esse é um dos poucos registros de como era Gonzagão no palco, cantando, tocando e interagindo com o público. O show foi gravado no auge da ditadura militar, em março, 1972, no Teatro Tereza Rachel, mesmo ano de lançamento do álbum “Aquilo bom”. Essa gravação foi feita em tape analógico e resgatada em 2001 para o deleite dos admiradores dessa tão rica faceta da música popular brasileira.
Compondo um time de feras no palco, Dominguinhos na sanfona e Renato Piau na guitarra, dois músicos excepcionais, que posteriormente, se destacaram fortemente dentro do cenário da música brasileira.
Dominguinos era bastante jovem nessa oportunidade, havia começado a usar esse nome artístico há pouco tempo, antes disso era conhecido como Neném.
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