sábado, 19 de março de 2011

SEBASETIÃO DIAS POETA REPENTISTA ( BIOGRAFIA)

SEBASTIÃO DIAS FILHO (13-09-1950, st. Timbaúba, Ouro Branco, então município de Jardim do Seridó-RN, do qual foi desmembrado em 21-11-1953, mas instalado oficialmente desde 16-07-1905, data de sua primeira feira, como povoado Espírito Santo. Com esse registro, baseado em informações do próprio poeta e de Luís da Câmara Cascudo (Nomes da Terra, Fundação José Augusto, 1968, p. 222), corrijo falha em meu livro REPENTES E DESAFIOS, Centro Gráfico do Senado Federal, 1985, p.235), no qual constou a cidade de Caicó como berço do excepcional repentista. Contudo, corroboro o que dele disse naquela obra: (...) “é uma das mais fortes expressões do repente nordestino. Simpático, inspirado, canta bonito e goza de justa fama em toda a região por onde se estende a magia de seu talento”.
Sem sombra de dúvida, Sebastião Dias é um dos mais completos artistas da viola. Poeta de inspiração encantadora pela beleza e raridade das imagens que esbanja em seus improvisos. Poucos cantadores se aproximam dele no brilho da poesia, na doçura e na sonoridade dos versos, que surpreendem e fascinam a todo instante. Chamam-no o Chico Buarque da Viola, mas o famoso autor de CONSTRUÇÃO e outros marcos indeléveis da música brasileira não têm o dom do improviso com que as musas bafejaram nosso Sebastião Dias, esse superdotado do repente cuja lira jamais desafinou. Canário sertanejo, seu destino é cantar, e assim nos encanta com o alumbramento de sua imaginação privilegiada, criativa, inesgotável. Em suas mãos, a viola atravessa para o terceiro milênio elevada e vitoriosa, buscando caminhos de um futuro de sonho e de poesia imorredoura.
Numa de suas grandes cantorias, o assunto girava em torno dos sofrimentos da criança pobre do sertão. Seu companheiro observou:

“Como é grande o sofrimento

da criança sem destino!”

Sebastião, nesta sextilha, pincelou um quadro de tristeza, mas também de beleza e realismo :

“Já é hora em que o menino
na calçada come fuba,
debaixo de uma choupana
coberta de carnaúba,
dessas que a ventania
com qualquer sopro derruba!”



Sebastião fazia feliz temporada em São Paulo, mas com muita saudade da terra querida, onde deixara amigos e parentes. Numa cantoria, o companheiro lhe cedeu esta deixa:

“Como é que você está
nesta terra bandeirante?”

Sebastião improvisou inspirado e saudoso:


“Na Capital Bandeirante

eu vim fazer um passeio,
mas, ao deixar o Nordeste,
parti a alma no meio...
Ou vem a banda de lá,
Ou vai a banda que veio.
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