segunda-feira, 23 de abril de 2012

Especialistas cobram cálculo do impacto ambiental da cúpula


DENISE MENCHEN
DO RIO
Organizada para obter avanços em direção ao desenvolvimento sustentável, a Rio+20 traz em si uma amostra do desafio que os países têm pela frente.
Apesar das iniciativas para tornar a conferência da ONU mais sustentável, os impactos ambientais serão grandes --e o fato de o comitê organizador ainda não ter divulgado uma estimativa deles preocupa especialistas.
"Uma conferência como essa tem milhões de impactos, a começar pelas emissões [de gases-estufa], passando pela questão da mobilidade urbana, do uso de energia e da água", diz Marco Fujihara, diretor do Instituto Totum, que presta consultoria na área. "Isso já deveria estar quantificado."
Para Fujihara, a divulgação dessas informações mostraria aos governos que há um "vácuo" na adoção de ações rumo a uma economia de baixo carbono. Na avaliação dele, porém, não há interesse em fazer essa conta "porque vai ficar ruim para os governos, principalmente o brasileiro".
O comitê nacional de organização da Rio+20, no entanto, diz que fará o cálculo da chamada "pegada de carbono" --a quantidade de gases-estufa que o evento vai emitir. Segundo o órgão, técnicos trabalham na definição do método a ser usado.
O comitê afirma ainda que está adotando medidas para tornar o encontro mais sustentável. As providências vão desde o uso de veículos com biocombustível até a inclusão de critérios de sustentabilidade nas licitações.
O Riocentro, sede da conferência, também investe na melhoria da sua estrutura. As 6.408 lâmpadas estão sendo substituídas pela tecnologia LED, que consome menos energia. A troca, porém, só será concluída em 2013.
O telhado de amianto, que na Eco-92 deixou ambientalistas chocados --a substância é proibida em dezenas de países porque a inalação de suas fibras traz risco de câncer--, foi substituído em 2006.
CRÉDITOS DE CARBONO
O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, anunciou a entrada em operação da BVRio (Bolsa Verde do Rio). Segundo ele, empresas que participarão da Rio+20 já mostraram interesse em comprar créditos de carbono para compensar suas atividades. Com isso, vão gerar recursos para projetos de redução das emissões.
Ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo diz que as viagens aéreas dos participantes devem responder pela maioria das emissões de gases-estufa no evento. Segundo ele, uma viagem de ida entre Europa e Brasil emite uma tonelada de CO2 equivalente (unidade de medida desses gases).
Essa é a quantidade máxima que, em 2050, cada um dos estimados 9 bilhões de habitantes deverá emitir em um ano inteiro para evitar que o aquecimento da Terra se agrave. Hoje, segundo Azevedo, a emissão per capita é de 7 toneladas de CO2.
"Transformar essa realidade vai exigir formas novas de fazer as coisas", diz, citando até o uso de hologramas (como o do rapper Tupac Shakur, morto em 1996, usado para fazer um "show" neste mês nos EUA) para substituir deslocamentos. Iniciativas como essa, diz Azevedo, podem contribuir para que conferências sobre sustentabilidade sejam de fato sustentáveis. 
Fonte: Uol
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