quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O ADEUS DE OSCAR NIEMEYER



Arquiteto Oscar Niemeyer recebeu, em seu escritório no Rio, o então prefeito eleito de Santa Maria, Cezar Schirmer, em dezembro de 2008 (Foto Gaspar Miotto/Especial/A Razão)




Arquiteto que projetou o Brasil para o mundo morreu na noite de quarta-feira, às vésperas de completar 105 anos
O último grande homem da modernidade deu adeus ao Brasil e ao mundo às 22h55 de quarta-feira no Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio de Janeiro. O arquiteto Oscar Niemeyer morreu às vésperas de completar 105 anos (ele nasceu em 15 de dezembro). A morte de Niemeyer, que estava internado desde o último dia 2 de novembro, deixa os mundos da cultura, das artes, do trabalho e da política mais pobres.
Ao longo de sua vida, o arquiteto que projetou Brasília juntamente com Lúcio Costa há 52 anos, tornou-se referência internacional com obras espalhadas nos principais países e cidades do mundo. A beleza e a simplicidade de sua criação rimam com o estilo de vida do arquiteto, que optou por uma existência simples, porém plena de realizações. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Niemeyer sempre se preocupou com a questão social e se indignava com a perversa distribuição de renda. Era um rebelde contra a opressão capitalista no mundo. Esse posicionamento político-ideológico rendeu-lhe perseguição durante a ditadura militar (1964-1985).
Quem olha para os edifícios e monumentos de Brasília logo lembra Oscar Niemeyer, o criador dos desenhos que originaram um dos projetos urbanísticos mais arrojados do mundo. Mas não é só Brasília. O arquiteto-artista é pai de outras obras como a Igreja da Pampulha (Belo Horizonte), a Catedral de Brasília, a Caixa D’agua de Cabogó, em Olinda (PE).
Desde a divulgação da notícia da morte do gênio brasileiro, as homenagens não param. São mensagens do mundo inteiro,declarações de amigos, colegas e até de gente que não o conhecia. A presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de uma semana no país. Outros governantes também decretaram luto oficial. Apesar de ateu convicto, a obra de Niemeyer tem algo de divino.
Santa-marienses destacam a obra do ícone da arquitetura
Em dezembro de 2008, o então prefeito eleito Cezar Schirmer (PMDB) foi ao Rio de Janeiro tratar do Memorial Ferroviário com Oscar Niemeyer, na época às vésperas de completar 101 anos. A jornalista Ceura Fernandes acompanhou a visita e publicou, na edição de 13 e 14 de dezembro, uma ampla reportagem com detalhes da visita e da vida do arquiteto. Ontem, Schirmer falou com A Razão sobre o momento histórico. “Ele se tornou uma referência internacional, projetou o Brasil para o mundo pela grandeza de sua obra. Também teve sua vida marcada pela solidariedade e pela militância política por um mundo mais justo. É um dos grandes homens que a humanidade já gerou”, diz o prefeito, que teve três contatos com o arquiteto.
Quanto ao Memorial Ferroviário, o projeto não saiu do papel. Segundo Schirmer, o escritório de Niemeyer se interessou em fazer o projeto, mas não seria a mesma coisa. Um neto dele, também arquiteto, chegou a vir a Santa Maria no ano seguinte, mas as negociações não evoluíram. Schirmer disse que o projeto do Memorial ainda está vivo e será reestudado.
Professor de História da Arquitetura na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra/Santa Maria) e colaborador de A Razão, o arquiteto Luiz Gonzaga Binato de Almeida, 64 anos, disse estar de luto. “É um homem genial. Foi o arquiteto que mais obras produziu na história da arquitetura mundial. Só no Brasil são mais de 600 catalogadas, fora em outros países”, define Binato. O professor lembra também o lado humanista e a militância política de Niemeyer. “Comunista convicto, sempre almejou uma mudança para uma sociedade mais justa, e morreu dentro dessa linha”, observa Binato, lembrando que Niemeyer fazia “muita coisa de graça” e chegou a dar um apartamento para 

Fonte:o militante comunista Luiz Carlos Prestes. Uma das obras mais importantes para Binato é a sede do Partido Comunista Francês, em Paris. No Rio Grande do Sul, os destaques ficam para o túmulo do presidente Getúlio Vargas, em São Borja; a Casa do Povo, em Vacaria; e um monumento à Coluna Prestes, em Santo Ângelo.
O também arquiteto e colaborador de A Razão Fábio Vasconcelos, 40 anos, destaca a simplicidade da arquitetura de Niemeyer. “A genialidade dele está na simplicidade da plástica do projeto. Com poucas linhas, você reconhece um projeto de Niemeyer”, diz Vasconcelos. Para ele, não há um projeto específico a ser destacado, mas o conjunto da obra. Vasconcelos, que é reverendo da Igreja Anglicana com formação teológica dedicou seu artigo na edição de hoje ao gênio da arquitetura.

fonte: arazao.com.br
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