quarta-feira, 22 de maio de 2013

Madeireiros se tornaram artesãos às margens do rio Negro

Escrito por Laís Duarte   

Miguel tinha um barco e um sonho.

A natureza esculpiu com capricho as Anavilhanas, um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo. Quatrocentas ilhas se alojam no leito do rio Negro. Por ali, a economia era baseada na madeira. Os ribeirinhos sobreviviam da extração das árvores da mata. Até que, em 1981, foi criada a Estação Ecológica Anavilhanas, no município de Novo Airão, a 140 quilômetros de Manaus. Bom para a floresta, mas um desespero para os moradores. Com o desmatamento proibido e a gente passando dificuldade, acabou o sono de seu Miguel Rocha, um dos moradores da região.

Mas Miguel tinha um barco e um sonho: um centro de formação profissional em marcenaria para jovens. Em um dos passeios turísticos que realizava pelas ilhas, conheceu o suíço Jean-Daniel Vallotton, e o encontro desses dois homens mudou o destino de tantos outros. O sonho de Miguel virou objetivo de Jean-Daniel.

Marceneiro por profi ssão, aventureiro por vocação, 18 anos atrás Jean voltou à Suíça, vendeu o que tinha. Fundou lá uma ONG para financiar a Fundação Almerinda Malaquias no Brasil. De ferramentas na mão e talento lapidado, mais de 200 artesãos já foram formados no ofício da marcenaria. Aprenderam que para talhar a madeira não é preciso derrubar mais árvores. Na mata, eles acham ouro no que iria virar carvão. Restos das toras e galhos descartados pela floresta são recolhidos e trabalhados. Nascem do pau esculturas que homenageiam símbolos da Amazônia: botos, onças, sapos, peixes. As peças são vendidas para o mundo todo. Os artesãos transformam madeira em arte sem perceber que a arte os transformou em protetores do meio ambiente.





Madereiros


Fonte: Almanaquebrasil
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