sábado, 27 de julho de 2013

O ADEUS DE DOMINGUINHOS

TRIBUTO

O ADEUS DE DOMINGUINHOS


Pedro Paulo Paulino

O adeus de Dominguinhos
Deixa a música enlutada,
O Nordeste entristecido,
Uma sanfona calada.
O forró e o baião
Do seu mestre Gonzagão,
Na sua espontaneidade,
Silenciam nesse instante,
Para que o Nordeste cante
A nota dó da saudade.

Como ave migratória,
Dominguinhos fez seu voo,
Porque foi chamado agora
Para no céu fazer show.
Na terra, seu nome honrado
Vai permanecer ao lado
Desses gênios imortais.
Com os seus talentos plenos,
É um artista de menos
Que deixou arte demais.

Garanhuns em Pernambuco
Lamenta o filho querido.
Nas artes, fica um espaço
Que não será preenchido.
Pois tombou uma coluna
Deixando imensa lacuna
Que não tem compensação.
Dominguinhos hoje dorme
Deixando uma falta enorme,
Como deixou Gonzagão.

Se foi do Rei do Baião
Verdadeiro seguidor,
Quem será de Dominguinhos,
Agora, seu sucessor?
É difícil responder,
Pois não é fácil nascer
Gonzagãos e Osvaldinhos
E Nocas, reis do teclado,
E o monstro consagrado
Como foi o Dominguinhos.

Nordestino de primeira,
Dominguinhos foi artista
Completo em sua carreira,
Seja como instrumentista,
Como letrista e cantor,
Além de compositor,
Fez de tudo em sua arte.
Por isso seu nome é
Um nome que está de pé
No Brasil em toda parte.

Ainda quando menino
Já recebeu a missão
De ser herdeiro do trono
Do mestre Rei do Baião.
E deu conta do recado,
Com talento e com cuidado,
Com competência e com brio.
Mas, ao desaparecer,
É lamentável dizer:
O trono fica vazio.

Fica uma sanfona triste,
Por Dominguinhos chorando.
Cada tecla, cada baixo
Os seus dedos reclamando.
Fica o povo nordestino
Perguntando: “Que destino
Terá o forró agora?”
Fica uma certeza só:
Que o melhor do forró,
Com seu dono foi embora.

Sua voz leve e simpática,
O seu jeito de cantar,
Sua alegria constante
Para se comunicar;
A sua simplicidade,
Mesmo na grande cidade,
Não escondia o retrato
De quem se urbanizou
Mas nunca a ninguém negou
Que nasceu foi lá no mato.

Foi dessas suas origens,
Iguais às de Gonzagão,
Que o mestre Dominguinhos
Buscou tanta inspiração
Para cantar o Nordeste
E, sendo um cabra da peste,
Desde os tempos de calouro,
A sanfona na bagagem,
Construiu a sua imagem
Usando um chapéu de couro.

Ganhou várias honrarias,
Todas bem merecedoras.
Seiscentas composições
Nas melhores gravadoras.
Fez sucesso em cada canto,
Sua sanfona e seu canto
Alegrou já muita gente,
Pois na melhor tradição
Fez forró e fez baião
Puro, alegre e envolvente.

“Isso aqui tá bom demais”,
“À procura de forró”,
“Meu Garanhuns”, “Meu pião”,
“Eu me lembro”, “Maceió”
São canções de Dominguinhos,
São retalhos, pedacinhos
Do sertão onde nasceu
Esse artista monumento.
Seu desaparecimento
Muita coisa emudeceu.

Dominguinhos da sanfona,
Dominguinhos gente boa,
Pelo mestre Gonzagão
Não foi escolhido à toa.
E foi você, Dominguinhos,
Quem mais abriu os caminhos,
Depois do Rei do Baião,
Pra que a canção verdadeira
Nordestina brasileira
Tenha continuação.

E vai sim continuar
Porque enquanto existir
Uma sanfona por perto,
Por certo alguém vai pedir
Que toque um xote ou xaxado
Por Dominguinhos gravado
Com voz ou solo somente.
Dominguinhos vai viver
Por onde prevalecer
O bom gosto eternamente.

Enquanto o Papa Francisco
Visita o nosso país,
Dominguinhos dá adeus,
Assim como alguém que diz:
“Obrigado, Santidade,
Mas a Sua Majestade
Gonzaga Rei do Baião
Está me chamando urgente
Pra compormos novamente
Forró com muita emoção”.

E vai ser forró demais,
Pra nunca mais acabar.
A corte celeste vai
Nesse momento parar
Para assistir, abismada,
Muita sanfona tocada
Nesse grandioso show.
No céu não vai haver prantos,
Enquanto Djalma Santos
Já chega fazendo um gol.

José Domingos Morais,
O Dominguinhos de guerra,
Deixou um grande tesouro
Na passagem pela terra.
Com os dedos na sanfona
Conseguiu trazer à tona,
Do fundo do coração,
Muita nota de alegria
Que até hoje contagia
A cidade e o sertão.


Fonte:  blog vila de campos
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