quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

BIOGRAFIA DE OTACÍLIO BATISTA PATRIOTA

Otacílio Batista Patriota - Biografia
Postado no 4 Agosto, 2008 por Caburé
Retirado de
Pernambuco de A/Z
Otacílio Batista Patriota
Poeta repentista, o mais novo dos três famosos irmãos Batista (além dele, Louro e Dimas), Otacílio Batista Patriota nasceu a 26 de setembro de 1923, na Vila Umburanas, São José do Egito, sertão pernambucano do Alto Pajeú.
Filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Guedes Patriota, ambos paraibanos, Otacílio participou pela primeira vez de uma cantoria em 1940, durante uma Festa de Reis em sua cidade natal. Daquele dia em diante, nunca mais abandonaria a vida de poeta popular.
Em mais de meio século de repentes, participou de cantorias com celebridades como o Cego Aderaldo e outros. Conquistou vários festivais de cantadores realizados nos estado de Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo.
Entre os folhetos de Cordel que Otacílio publicou estão os seguintes: A Morte do Ex-Governador Dix-Sept Rosado; Versos a Câmara Cascudo; Peleja de Zé Limeira com Zé Mandioca; Peleja do Imperador Pedro II com o Rei Pelé. Todos consagrados junto aos leitores nordestinos.
Otacílio Batista publicou, ainda, vários livros. Entre os quais, destacam-se: Poemas que o Povo Pede; Rir Até Cair de Costas; Poema e Canções; e Antologia Ilustrada dos Cantadores, este último com F. Linhares. Versos de Otacílio foram musicados pelo compositor Zé Ramalho, dando origem à canção “Mulher Nova Bonita e Carinhosa”, gravada inicialmente pela cantora Amelinha e depois pelo próprio Zé Ramalho. A canção foi tema de uma filme brasileiro sobre Lampião, o Rei do Cangaço.
Otacílio Batista Patriota morreu a 05 de agosto de 2003, na cidade de João Pessoa, Paraíba.
:: Otacílio Batista segundo o poeta Manuel bandeira
Depois de ouvir Otacílio Batista cantar durante um festival de violeiros realizado no Rio de Janeiro, o poeta Manuel Bandeira os seguintes versos:
Anteontem, minha gente,Fui juiz numa funçãoDe violeiros do NordesteCantando em competição,Vi cantar Dimas Batista,Otacílio, seu irmão,Ouvi um tal de Ferreira,Ouvi um tal de João.Um a quem faltava um braçoTocava cuma só mão;Mas como ele mesmo disse,Cantando com perfeição,Para cantar afinado,Para cantar com paixão,A força não está no braço,Ela está no coração.Ou puxando uma sextilha,Ou uma oitava em quadrão,Quer a rima fosse em inhaQuer a rima fosse em ao,Caíam rimas do céu,Saltavam rimas do chão!Tudo muito bem medidoNo galope do Sertão.A Eneida estava boba,O Cavalcanti bobão,O Lúcio, o Renato Almeida,Enfim toda comissão.Saí dali convencidoQue não sou poeta não;Que poeta é quem inventaEm boa improvisaçãoComo faz Dimas BatistaE Otacílio seu irmão;Como faz qualquer violeiro,Bom cantador do Sertão,A todos os quais humildeMando minha saudação.”
Mulher Nova Bonita e carinhosa(Otacílio Batista e Zé Ramalho)
Numa luta de gregos e troianosPor Helena, a mulher de MenelauConta a história que um cavalo de pauTerminava uma guerra de dez anosMenelau, o maior dos espartanosVenceu Paris, o grande sedutorHumilhando a família de HeitorEm defesa da honra caprichosaMulher nova, bonita e carinhosaFaz o homem gemer sem sentir dor.
A mulher tem na face dois brilhantesCondutores fiéis do seu destinoQuem não ama o sorriso femininoDesconhece a poesia de CervantesA bravura dos grandes navegantesEnfrentando a procela em seu furorSe não fosse a mulher mimosa florA história seria mentirosaMulher nova, bonita e carinhosaFaz o homem gemer sem sentir dor.
Virgulino Ferreira, o LampiãoBandoleiro das selvas nordestinasSem temer a perigos nem ruínasFoi o rei do cangaço no SertãoMas um dia sentiu no coraçãoO feitiço atrativo do amorA mulata da terra do condorDominava uma fera perigosaMulher nova, bonita e carinhosaFaz o homem gemer sem sentir dor.
:: Discografia
Cantador, verso e viola (1974) RozemblitGigantes do improviso (1974) CBSVerso, viola, verso (1975) RosemblitMonstro sagrado do improviso (1978) Continental
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