domingo, 17 de julho de 2011

Tecnologia inova buchada de bode no Rio Grande do Norte

Gastronomia

Inovação tecnológica substitui a linha de costura no fechamento da buchada e melhora a qualidade e segurança alimentar do prato típico do Nordeste

Raildon Lucena
Caicó - A substituição da linha de costura pela tripa do bode no fechamento da buchada, prato típico da Região Nordeste, está agregando valor ao produto, que pode ser encontrado em supermercados, lojas de produtos regionais e restaurantes de comidas típicas do Rio Grande do Norte.


A novidade está sendo lançada pelo Frigorífico Caprifrios, do município de Jardim do Seridó, distante 246 quilômetros da capital do Estado, Natal. Trata-se de uma nova tecnologia capaz de renovar o mercado consumidor da tradicional buchada de bode.


Com a intervenção do Sebrae no Rio Grande do Norte, através da empresa credenciada Seta Consultoria, a mudança no preparo da buchada melhora a segurança alimentar, descartando inclusive o risco de um engasgo ocasional do consumidor ao saborear o prato, já que o fio também é comestível.


Outro aspecto salutar é que a inovação permite um corte perfeito, sem esfarelar o bucho. A buchada de bode é pré-cozida antes de ser exposta nos pontos de venda. O produto é embalado à vácuo para garantir durabilidade.


O trabalho, desenvolvido por profissionais da Universidade Estadual da Paraíba, elimina as inconveniências do feitio tradicional. “O que é importante, tanto na questão da segurança alimentar, como no aspecto visual”, afirma Hélio Andrade, da Seta Consultoria.


Ele garante que a tecnologia no fechamento do bucho agrega valor ao produto. “Ela facilita o consumo. O fechamento da buchada é feito com a própria tripa do animal, de modo a proporcionar um corte bem feito na hora do consumo. É um diferencial para um produto conhecido em todo o Nordeste”, enfatiza.


A inovação foi apresentada ao empresário Joaquim Neto, proprietário da Caprifrios, que havia procurado o escritório regional do Sebrae, em Caicó, na região do Seridó, em busca de produtos diferenciados.


O empresário apostou ma mudança e tornou-se pioneiro em todo o Estado do Rio Grande do Norte na produção da buchada de bode sem linha. “Comecei a trabalhar nesse setor há 12 anos, com uma perspectiva de crescimento da cadeia produtiva da caprinocultura. Montei esse abatedouro visando formalizar parcerias com o produtor rural para poder atender a demanda”, lembra Neto.


Joaquim Neto apresentou o produto na Feira de Negócios de Caicó, despertando o interesse de executivos da Rede Seridó de Supermercados e que já estão em negociações para disponibilizá-lo em toda a região do Seridó e em Natal.


Para tanto, o abatedouro terá que aumentar o número de funcionários e intensificar a capacidade de produção. A Caprifrios produz, em média, 300 quilos da buchada por semana. Para atender a demanda, seriam necessários, pelo menos, 2 mil quilos semanais.
Para o empresário, a dificuldade agora é fechar cadeias produtivas certas. Atualmente, a Caprifrios trabalha com 50 fornecedores.


Destes, 90% são oriundos de outros Estados, como Paraíba, Piauí, Pernambuco e Bahia. Com o aumento da procura pelo produto, Neto vai precisar incrementar a sua capacidade de produção. “Trabalhamos com 120 carneiros por semana, mas pretendo expandir”, promete. Ele acrescenta que o consumo interno é bom e o produto tem potencial para atingir o mercado externo. “É uma carne sem colesterol e sadia, que interessa a outros países. Nossa região tem potencial. Só é preciso incentivar a cadeia produtiva”, avalia.


O empresário acredita que há muitas associações rurais no Seridó que poderiam incentivar a caprinocultura. “Estamos juntos com o Sebrae para fazer essa parceria e levar ao consumidor um produto de qualidade. Vamos ver se a gente desperta uma maior quantidade de seridoenses para a caprinocultura. Queremos trazer esses produtores de todo o Estado para se juntarem nessa empreitada, fazendo um futuro melhor para todos”, empolga-se.


O caso da Caprifrios é significativo na questão do desenvolvimento regional. O lançamento de um novo produto, testado e aprovado pelo consumidor, gera a intensificação da oferta e a valorização da caprinovinocultura. Além do empresário, que ganha em termos de qualidade e lucratividade, inovações deste tipo beneficiam fornecedores e permeia toda a cadeia produtiva, passando pelas redes de supermercados, até o próprio consumidor.


Serviço:
Sebrae no Rio Grande do Norte - (82) 3616-7900 

MATÉRIA EXTRAÍDA DA PAGINA SEBRAE DO RIO GRANDE DO NORTE
Postar um comentário